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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

CAMINHO DE SANTIAGO - 4º DIA


O Quarto dia foi marcado por algum cansaço fruto dos dias já acumulados e sobretudo da extensão do dia anterior, dia em que se deu a célebre troca das botas, em que eu e o António Vicente por lapso e porque tínhamos umas botas Salomon precisamente com o mesmo numero e ambas compradas recentemente e porque ficaram ambas num armário no exterior do dormitório, não demos pelo troca e calçámos as botas um do outro e fizemos 40 km com elas.... foi a rodagem!..

Tínhamos planeado fazer 20 km e ir dormir a Porto Marim e faríamos 40 km no dia seguinte mas como o dia anterior tinha sido duro, optámos durante o caminho por alterar os planos de forma a efectuarmos cerca de 30 km em cada um dos dois dias, pois concluímos que seria mais adequado ao grupo.

Era ainda noite quando saímos do albergue, tomámos um belo pequeno almoço no mesmo local onde jantámos e partimos pelo final da madrugada ainda de frontais. O dia acordou com nevoeiro dando um ar verdadeiramente místico ao caminho.

 



A Mística do Nevoeiro



 


 


 


De Sarria a Santiago de Compostela são pouco mais de 100 km pelo que muita gente opta por iniciar este caminho daqui porque é o mínimo para obter a compostela. De facto a partir daqui começámos a encontrar mais peregrinos entre os quais um grupo de brasileiros logo no inicio do percurso.





Ao passarmos o km 100 aproveitámos para festejar, aliás qualquer tema era justificação de festejo... este grupo é assim mesmo.

 


E assim continuámos o caminho pelos místicos campos e aldeias galegas...

 

 


O Caminho na Galiza adquire outra dimensão


 





Os belos campos Galegos


Entretanto a fome aperta e o corpo pede descanso pelo optamos por parar num bar do caminho que nos proporcionou um belíssimo café retemperador e uma bela tarte de Santiago.. Até mesmo uma avestruz nos saudou...




E eis que chegamos ao rio Minho...


O Rio Minho


 



Cerca do meio dia chegámos a Porto Marim, simpática vila galega junto ao rio Minho e como não íamos ficar aqui e para descanso e recuperação do grupo, decidimos almoçar de faca e garfo sem stresses. Serviram-nos uma divina sopa de peixe que ainda hoje guardo o paladar de memória, não sei se pelas circunstâncias, parece-me que foi a melhor sopa de peixe que comi até hoje...

 A entrada de Porto Marim

Depois deste repasto partimos um pouco sem destino pois apenas sabíamos que haveria 1 albergue a cerca de 9 km dali pelo que continuámos o nosso percurso.

 


Uma espiral de pedras no caminho


Cenas bucólicas das aldeias Galegas

Entretanto parámos para fazer uns pequenos e originais exercício de alongamentos.






Depois de alguns km chegámos a Gonzar, pequena aldeola do caminho mas que tinha um belíssimo albergue onde ficámos e um restaurante junto para jantarmos. Como alguns de nós já vinham em sofrimento com as suas lesões, optámos por ficar aqui.

Depois do banho, foi tempo de rever as lesões de cada um e fazer os curativos aos lesionados. De louvar foi o serviço do nosso companheiro Arménio Neves sempre incansável na aplicação dos seus conhecimentos às feridas e bolhas dos outros companheiros. De louvar também o creme "Biafin" que se revelou um verdadeiro milagre... De louvar a quantidade compid's fitas e adesivos e uma parafernália de produtos que em boa hora levámos e sobretudo é de louvar a coragem e persistência dos lesionados que continuaram sempre sem queixas nem lamúrias e conseguiram superar-se a si próprios.

Confesso que no final deste dia me senti angustiado e triste porque pensei que alguns de nós não chegaríamos a Santiago a caminhar e que seria necessário haver desistências o que me deixou com uma tristeza profunda pois o objectivo era chegarmos todos "sãos e salvos" a Santiago, por isso entreguei o assunto ao Santo, não sem antes ajudar o Arménio a fazer os tratamentos, pois esta coisa de entregar aos Santos, só resulta se fizermos antes a nossa parte...e deixar para os Santos apenas aquilo que não podemos fazer ... e o Santo fez a parte dele como veremos nas próximas cronicas.


O trilho do percurso,  30 km, 612m de subidas e 584m de descidas





Ate ao dia seguinte...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

CAMINHO FRANCÊS DE SANTIAGO - 2º DIA


Eis a sensação de acordar depois de uma noite dormida no albergue, e embora para alguns de nós tenha sido a primeira sem o conforto de um quarto de hotel, devo dizer que pessoalmente fiquei com uma óptima recordação dos albergues galegos, pois quando comparados com os refúgios de montanha, dos Alpes e Pirinéus são verdadeiros hoteis de 5 estrelas...

Dado não termos dormido no dia anterior penso que ninguém estranhou o alojamento o corpo estava mais que necessitado de um colchão e umas horas de descanso. Para juntar à sensação de felicidade conseguimos acertar em cheio na escolha do restaurante para jantar o que ainda ajudou mais a um sono tranquilo e profundo. E ainda bem que hoje o dia ia ser longo e duro....


Era ainda noite quando saímos e alguns de nós íamos em busca de uma churreria vista no dia anterior com a intenção de degustar uns belos churros com chocolate quente ao pequeno almoço, mas caímos na realidade, a churreria estava ainda fechada e só abria muito tarde e o bar onde tomámos café só pelas 8 da manhã iria ter os ditos churros pelo que tirámos daí as ideias. No entanto, quando ja nos preparávamos para sair, eis que chegam os churros e ainda tive direito a um antes de iniciar a jornada, oferta do dono do bar... contrariamente a alguém que ainda hoje sonha com o churro que por vergonha não quis comer e que ainda mais se arrependeu quando soube que tinha sido oferta... há dias assim.... sorry!


Bem, depois das peripécias do churro partimos como sempre em alegre marcha que diga-se em abono da verdade contrastava um pouco com a imagem dos caminheiros solitários em meditação que também fomos encontrando pelo caminho. E para iniciar bem o dia logo com uma subida longa que nos levou a um ponto alto de onde pudemos apreciar a beleza do nascer do sol.






Continuámos por esse belo trilho e dentro de pouco estávamos no meio de um castanhal onde tivemos o prazer de encontrar um grupo de trabalhadores que apanhavam castanhas e trocar umas palavras com eles que contribuíram para animar os dia deles e o nosso também obviamente.



 

Momento de animação nós e um grupo de trabalhadores que apanhavam castanhas





Entre Castanheiros com as serras da Galiza ao fundo



 



Descemos ao vale e depois continuámos no caminho principal e fomos obtendo os carimbos necessários para conseguir a "compostela" (um mínimo de 3 carimbos diários) em pequenas lojas, bares, igrejas, etc..



 





  




 

Uma das muitas igrejas do Caminho









Parámos num pequeno bar para almoçar e iniciámos a nossa subida para o Cebreiro, a porta de entrada de Galicia, a nossa tão bem amada Galiza, berço da língua que falamos originária do Romance Galaico-Português e que tanto comparte connosco.



Inicio da subida para o Cebreiro

Assim depois de uma boa, dura e longa subida  chegámos ao local onde um marco assinala o inicio das terras galegas.

 
Marco que assinala o inicio da Galiza


pequena pausa para descansar as costas



E pouco depois a bela aldeia do Cebreiro, onde tirámos a foto de grupo pela simbologia de estarmos a entrar na Galiza.

Foto de Grupo após chegar ao Cebreiro para descansar da forte subida


Esta aldeia tão pitoresca apresenta-se bela e misteriosa ao caminhante que nela entra, os edifícios todos à traça original e algum comércio turístico que não a descaracteriza.








Nas compras...




Igreja do Cebreiro




O albergue também muito bom e bem apetrechado que nos proporcionou um banho revigorante que nos preparou emocionalmente para um belo jantar num bom restaurante onde não faltou o Pulpo à Galega!



O Albergue da Xunta de Galicia do Cebreiro


Ao jantar


O trilho do percurso,  33 km, 1.347m de subidas e 609m de descidas






E assim acabou mais um bela jornada e fomos descansar pois no dia seguinte esperavam-nos mais de 40 kilometros até Sarria.