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terça-feira, 7 de maio de 2013

10 º Concurso de Fotos - Portas de Rodão






Portas de Rodão, Grande actividade do mais arrojado que já fizemos.... de um trekking destes so poderiam resultar mesmo grandes fotos!



   
Cacilda Cardoso                                                          João Bernardo
 
 
  
 
 Catherine de Freitas                                                       Helena Gouveia



 E o resultado foi:


3º LUGAR
 FOTO Nº 9 de Catherine De Freitas




2º LUGAR 
FOTO Nº 11 de Helena Gouveia

 



1º LUGAR
FOTO Nº 1 de Cacilda Cardoso





Parabéns a todos!

sábado, 4 de maio de 2013

De Ródão a Ródão pelo Conhal do Arneiro







 O tejo acordou, espreguiçou-se, abriu as águas e escondeu o trilho que acompanha a margem onde um gigantesco rochedo faz de ombreira ás portas que em Ródão lhe franqueiam a passagem.






Nada que importunasse os aventureiros que, já avisados e precavidos, tiraram do descanso o serrote, suposta salvação para abrir caminho entre vegetação labiríntica.






 Não foi o serrote mas o bastão que, manejado com denodo e vigor por valentes batedores peritos nas tarefas de abrir passagens enquanto os impávidos turistas se deliciam com os idílicos recantos da paisagem, deitou por terra o mato mais assustado que assustador, engalfinhado numa mural teia mas fraquinho para resistir a umas empenhadas bastonadas.




 

E nisto… – CÁ ESTÁ ELA! a informação antes do… - CUIDADO!!! o aviso veio com um enorme vrrruuuuummmmm… de pedras rebolando até que um leito no caminho as amansou e onde se deitaram a descansar enquanto não se ouvisse de novo… - CUIDADO! VENHAM COM CALMA!







E o cuidado entranhou-se naqueles corpos que subiam a encosta pejada de pedregulhos, que não os incomodava pelo esforço, mas inundava-os o receio dum pé mal apoiado em pedra móvel e lhe desse o jeito para deslizar numa vertigem roladora deixando pelo caminho penteados de risco ao meio nos alpinistas mais atrasados.










 
Meia encosta e um pequeno recompor da fadiga alimentando a vista com o que o que fora feito e o que havia para fazer.






Para cima é o lema, para cima era o caminho.





 
A pista até ao topo foi como entrar na selva virgem onde o mato as lianas as árvores abraçadas umas nas outras por ramos enormes e folhas densas, eram empecilhos vencidos entre escarpas de pedra e o rio deleitado no horizonte. Não era esforço sobre humano. Era um desafio à natureza vigiada por Grifos que, voando entre nuvens que ilustravam o imenso quadro azul, esperavam o tombo do mais fraco para um banquete de aprumo divinal.










Foi sorte que lhes não deram os intrépidos aventureiros.













Inteiros e contentes, chegaram à esplanada da varanda sobre o Tejo 











onde o olhar se evade pelos quatro cantos da rosa dos ventos, ponto de miragem para mundos atordoantes. 










Ai saborearam o prazer duma paisagem dum paraíso aqui tão perto, saboreando a doce banana no time que já tardava. 







Repouso merecido. Repouso encantado. Repouso em companhia das aves que se tornaram amigas acompanhado com seu piar as peripécias e galhofas que por ali jubilavam. Repouso que não teve uma casca de banana atirada para o vácuo e levada pelo vento no ar limpo e liso que se respirava no penhasco aquecido pelo sol.









Havia muito para andar, havia muito para ver. 






Se estavam em cima o destino era para baixo e a descer se chegou ao outro lado das portas, tão prazeirosas para o rio... 










tão excitantes de aventuras para lunáticos caminheiros, que só não se banharam no lago, ali remansoso... 








porque o tempo não esperava e o “ouro” do Conhal descoloria.








Outra pedreira. Mais modesta na distância empinada, mais soberba na distância nivelada.





Conhal de seu nome. Onde as pedras em tempos valeram “ouro”. Desconhece-se a quem essas  pepitas deram conforto, sabe-se que, do que restou, apenas se goza do que a vista absorve depois do desconforto.


Conforto que veio nos metros seguintes por





campos coloridos



memórias abandonadas






montes perfumados







ladeiras ensarilhadas









até ao Arneiro para um retempero: muscular, alimentar e nivelação de líquidos contra desidratações. Uns optaram por cevada fermentada os outros foram para o sumo de fruta porque o balão está onde se não espera e no fim a geladinha é de sabor mais animador.


Pernas ao caminho pela tarde aquecida pelo sol atulhado em temperatura. 


O Tejo deu entrada ao Nisa 
e a aventura foi pelas margens do rebento colorindo os caminhos onde as formas e cores das flores compunham quadros que aos pintores fariam inveja.



Numa enseada duma represa onde se cruzam caminhos, registou-se o grupo para a posteridade.



Subiu-se o rio contra a corrente, ora serena ora agreste, deixando recantos bucólicos, pasto de sonhos para sonhadores famintos.








O percurso a pé a certa altura fazia entroncamento com o percurso do rio. A passagem para o outro lado não resistiu à corrente e deslocou-se para sitio incerto deixando as margens ligadas apenas por agua que tinha por capricho molhar qualquer coisa que nela entrasse. 




E foi pela ponte que a imaginação ergueu,






que se aperaltaram para a passagem do rio levando os tamancos aos ombros enquanto os pés nus passavam as pedras lisas e as águas de ténue corrente que deslizava entre margens de vivo verde.


O sol escaldava e os kms castigavam. 


Valia o prazer do que viviam e viviam cada subida como um encontro com a passagem para o outro lado do espelho, como Alice, que viveu maravilhada no mundo da fantasia. 






No cimo dos monte, expandia-se a mente e voavam como Milhafres ou Cegonhas em busca de sementes que lhe alimentassem a alma.








Ao longe avista-se a serra onde as portas simbolizam a estreita passagem para o paraíso. Estavam perto da chegada e do fim duma aventura nesse paraíso descoberto para lá da passagem que tornaram larga.











A ponte que os vira partir, recebe-os à chegada recordando-lhes,







num olhar sobre o Tejo que deixara de se espreguiçar e mostrava o trilho que antes escondera,









que o rio é um afluente do tempo que nos pertence, desagua em nós e somos nós o seu amparo.









 






Depois foi a geladinha, huuuuummmmm…. Soube mesmo bem!  

joaocasaldafonte











 








                              













quinta-feira, 2 de maio de 2013

Os Gigantes de Rodão


Há já algum tempo que queria voltar a Ródão, a Vila Velha de Ródão e mais uma vez subir aquele rochedo imponente que faz parte do denominado Complexo das Portas de Ródão e acima de tudo faz parte do meu imaginário infantil, uma formação geológica resultante da intersecção do relevo geográfico com o curso do rio Tejo, que aqui corre entre duas paredes escarpadas, que atingem cerca de 170 m de altura, fazendo lembrar duas "portas", uma na margem norte pertencente à Beira Baixa, e outra a sul no concelho pertencente ao Alto Alentejo.


As portas de Ródão vistas da ponte em Vila Velha de Ródão

Às 9:00 horas lá estávamos 15 Bravos Caminheiros no acesso à ponte que liga a Beira Baixa ao Alto Alentejo, olhando a escarpa e sonhando com a sua conquista .


A Ponte que liga o Alto Alentejo à Beira Baixa


Passámos para a outra margem e começámos a nossa saga numa grande algazarra como é habitual, e ao olhar as margens do Tejo verificámos logo ao longe que o nosso trilho planeado estava coberto pelas águas pois decerto estariam fechadas as comportas da barragem do Fratel.
    




Sem outra alternativa demos NOVOS TRILHOS à paisagem, e muito a custo lá conseguimos perfurar a frondosa vegetação por entre fetos, silvados e arbustos, umas vezes junto à água outras mais longe.


   

Até que começamos a avistar a escarpa de perto e pudemos admirar a sua imponência!


Por entre fetos avistámos a escarpa


Como era a bela!


E quando já parecia uma eternidade, eis a cascalheira da escarpa em toda a sua magnitude a desafiar-nos!



 



Depois da cascalheira veio um pequeno trilho com alguns troços um pouco mais técnicos que exigiram pontualmente um pouco de escalada mas nada de muito difícil.


 
 


Durante a subida, paisagens deslumbrantes do apertado vale entre as escarpas!


Ponte sobre o Tejo em Ródão
   




Já quase a atingir o topo do rochedo, avistamos os seus habitantes e defensores, os grifos!


Olhando os Grifos a sobrevoarem-nos


Finalmente chegámos ao topo e la estava a recompensa da conquista!



A Oeste com o Tejo a seguir o seu curso


A sul, Arneiro e Conhal

A recompensa da conquista do rochedo, Banana Time

Conquistado o rochedo, continuamos o nosso percurso rumo ao porto fluvial do Arneiro a jusante das portas de Ródão.


Porto do Arneiro
   



Chegámos ao sitio da exploração aurífera da época romana, o conhal do Arneiro. Trata-se de uma exploração mineira romana onde os depósitos auríferos seriam desmanchados pela força erosiva da água captada e armazenada na bacia hidrográfica da Ribeira da Nisa, através de um engenhoso sistema hidráulico e canais de encaminhamento de água.


   
Montículos de calhaus rolados resultantes da separação mineira

Em seguida dirigimo-nos para a aldeia do Arneiro mas antes ainda tínhamos uma subida à "Novos Trilhos" a provocar-nos desafiadoramente lá do alto e à qual não conseguimos resistir...



   


Arneiro, terra de pescadores, uma aldeia típica do Norte Alentejano.


 
 



Depois de um merecido descanso com o calor a apertar partimos para mais uma etapa, as margens do Tejo e a central da Velada na ribeira de Nisa seu afluente.



Rio Tejo
 


Os edifícios em ruínas do complexo da Central da Velada.




Mas eis que mais um obstáculo se nos afigura, o trilho não tem passagem para a outra margem, há que descobrir um vau da ribeira onde seja possível a travessia... e la nos deparamos com um troço mais baixo com pouca corrente onde se pode atravessar sem perigo...



Atravessando a Ribeira de Nisa


E novamente subimos à planície Alentejana tão saudosa nas minhas memórias.... e nesta altura multicolorida com o grito da primavera.





Serra das Talhadas e Portas de Ródão ao fundo

Planície





Muros de Xisto e Sobreiros característicos da zona


O Alentejo com vista para a Beira Baixa


E para completar o itinerário subimos a serra de São Miguel rumo à Beira Baixa onde deixámos os carros.


  


Completámos o périplo por terra de Ródão novamente na ponte de Vila Velha cansados mas tranquilos e felizes depois de um dia pleno de aventuras e boa disposição.


   



O Tejo visto da ponte


Assim finalizámos o nosso trekking de sábado e fomos até Nisa onde tomámos um refrescante banho para depois irmos provar as iguarias regionais relacionadas com o peixe de rio, as célebres sopas de peixe do rio, sável com açorda e enguias fritas com sopas de peixe, uma delicia onde não faltou a animação do grupo regional "Fora de Horas", de que fica aqui um pequeno registo.







 Fomos então descansar pois no dia seguinte esperava-nos mais uma aventura por terras da vizinha AMIEIRA DO TEJO!