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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O Sizandro desconhecido e os 7 Magnificos!



Eram só sete mas, tal como os outros, foram magníficos!



Os outros tinham uma missão: apertar o gasganete aos malvados que pilhavam e açambarcavam tudo o que pertencia a quem só partilhava a honestidade!
Estes tinham uma missão: acabar com a malvadez que lhe deu cabo das rótulas dos joelhos; das dobradiças nas ancas; dos rodízios nos artelhos; dos alhais nas omoplatas e olear os rolamentos a fim de evitar a gripagem e chiadeira quando vier a retoma dos km que ainda têm para percorrer.
Não podia ser de esgalha castanheiro, até porque não os havia, mas também não podia ser: - uma fofura de passeio né! Tentaram ser activistas equilibrados para não perderem a pedalada à partida, nem serem apanhados em andamento de CC a ver montras à chegada. A aventura não foi por ai além. Foi uma aventura simples, onde conseguiram juntar um pouco de cada coisa do que lhes apetecia fazer, e, assim, deram a primeira estocada da reentré após um longuíssimo período de amolecimento corporal.
Foi mesmo a primeira vez para todos o caminho feito ontem pelos sete magníficos. Até eu, que por Torres andei enquanto crescia, que tanta vez percorri os km que separam Torres Vedras de Santa Cruz, que tanto Sizandro conhecia, nunca tivera uma nesga de massa cinzenta que pensasse na hipótese do rio não ter sido interrompido ali, naquele ponto onde iniciamos a procissão, e retomasse o seu curso já bem perto do mar para nele se aconchegar como um filho que chega a casa depois duma valente borga nocturna.
E afinal há mais rio! Há mais vinte km de rio para além daqueles que já conhecia. Um pouco deixado ao deus dará, muito fechado, raramente se vê o seu leito, mas lá vai rompendo as terras que o ladeiam e que vão sendo aproveitadas para cultivo. Servem-se da água que ele guarda entre margens, para dar de beber às sementes deitadas à terra e que brotam airosas exibindo a singela frescura de corpos no limiar da puberdade que vão dançando agitados pelo vento enquanto o sol lhes dá a cor que ilumina a planície engalanada pelo rio que por ali passa pachorrento.
Que se não pense que foi um passeio de anjinhos.
A escola NT não ficaria defraudada se visse um filme que reproduzisse, com rigor e clareza sem fotoshops na montagem, tudo o foi acontecendo e dito ao longo das sete horas que durou a expedição. As imagens não são censuráveis, mas muito do que foi dito não pode aqui ser reproduzido porque a página não tem onde colocar a bolinha vermelha e o texto ficaria cheio de piiis.
Ficou a faltar a foz. Correr por um rio e depois não ver a cama onde ele se deita após tanta terra desventrada, não fica bem na prateleira onde vamos acumulando as jóias. É como abrir um queijo suíço e não encontrar um só buraco para dar prova de que é mesmo suíço e, no entanto, o rótulo diz “made in switzerland”. Os sete não dobraram o cabo da preguiça para poderem chegar à foz do Sizandro e, no entanto, podem provar que calcorrearam mais ou menos vinte km das suas margens, tá no rótulo.
Mas não faltou Santa Cruz. É certo que tínhamos de lá chegar, até porque era de lá que partia o autocarro de regresso, mas, Santa Cruz está para um caminheiro de verão sapando as arribas costeiras como os Himalaias estão para um caminheiro de inverno superando as agruras do gelo: o frio é idêntico mas Santa Cruz tem mar e os Himalaias não.
E de Santa Cruz para Torres Vedras foi um pulinho. Acomodados no autocarro, mais uma vez não deixamos saudades aos restantes passageiros. Eramos menos do que em outras ocasiões, mas notava-se um alivio em cada cliente que saia. Houve quem saísse antes da paragem onde previra terminar a viagem e houve quem avisasse, ao sair, quem supostamente ia entrar aconselhando-os a não o fazer pois o autocarro tinha sido invadido por figuras estranhas e mal comportadas.
Mas nem todos os passageiros nos hostilizaram. Connosco seguia um casal equipado à caminheiro com bastões e tudo e que se divertia e partilhava das mesmas alegrias. Tinham, os dois, uma particularidade: eram extra terrestres. E digo-o com tanta convicção porquê? Em primeiro lugar juntaram-se a nós. Isto em si já é estranho, só alguém vindo de Kripton ou de outro planeta do género, se deixa contagiar pela raça NT. Em segundo contaram uma historia muito estranha que só alguém ao nível do Super Homem poderia ter vivido. A história é esta. Depois de satisfeita a sua curiosidade sobre a nossa aventura, contaram-nos que tinham feito o mesmo caminho, com passagem pela foz, em… tan tan tan tan… três horas! TRÊS HORAS!!!??? Pensa-mos todos bem alto… então nós demoramos sete para aqui chegar e nem à foz fomos!!!!
Eu não acredito em encontros de terceiro grau com Aliens mas lá que existem existem. Para a próxima que for para aqueles lados, levo um pedaço de kriptonite, caso os encontre, boto-lhe a pedra no bolso a ver se com o peso se lhes acaba a leveza e dão passadas mais lentas.






E pronto, depois foi só molhar o bico com uma bejeca fresquinha, uma saúde à insanidade saudável, uns abracinhos de despedida e até pá semana no Cais do Sodré…

Prontos!





joaocasaldafonte












quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O planeta NT


 Muitos somos tantos

















Ninguém é uma ilha, muito menos eu!
As distâncias que percorri não são km nem milhas
Foram passos que dei libertando o lado louco de mim
Com prazer, com alegria, com paixão, com coração
Houve sofrimento, houve contentamento
Muita insanidade, muita liberdade
E muitos, muitos amigos.
Vieram, ficaram, partiram, hão-de vir
E assim nos vamos libertando
Ninguém é uma ilha!
Por onde andei, por onde sapateei
Bebi com todos, nos paraísos onde aplanámos
Vivi com todos nos lagos líricos onde ancorámos
E, do meu ser moribundo, entre amigos despontei
Somos filhos do mesmo cacho
Fomos tirados à mesma cepa
A vida não é para nós comum
Mas temos em nós
O sangue que nos une
Nesta aventura sem fim
A ilha somos todos nós
O mar que nos rodeia tem corais de afeto
Vivemos em árvores onde se cheira unidade
Corre um rio entre nós num leito de amizade
Somos a corrente que não fecha
O seu peito sempre aberto.
Não sou nem quero ser uma ilha
Quero continuar a ter-vos por perto
Sempre que possa, enquanto possa
A minha alegria, o meu espirito
São como a árvore que cai na floresta:
Só a ouvem cair se por lá andar alguém!
Eu quero que a floresta onde habito
Conte convosco

Yeeeeeesssssssss !!!!



























joaocasaldafonte


peço desculpa aos autores mas desta vez as fotos são de todos






quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Um cacho de penas bizarro


Divagações exóticas... 


Boneca de Copacabana eu sonhei ser,
Na savana virgem da mata africana!
Sou filha adoptiva de Maria Joana,
Paro no jardim boticas onde vou viver!
Ando de cá para lá mostrando meu véu,
De sinos tocando nas nuvens de fumo aromático!
Exala do meu peito em flor a chama do árctico,
Que dança um reggae jamaicano nos prados do céu!
Afinal que sou eu neste cais cheio de luz?
Partem cegonhas, chegam navios,
Ao mundo por onde viajo chegando à ilha de sais feéricos!
Afinal quem sou eu aqui neste lago onde a água reluz?
Atraio tempestades, incendeio pavios,
E o fogo incendeia-me a alma libertando sonhos psicadélicos!

joãocasaldafonte

A foto é do Amadeu Agostinho








domingo, 22 de junho de 2014

Companheiro Carlos






























Cheguei tão perto do sol
Voei entre dunas e escarpas
Do sonho que me empurrou
Sentei-me à sombra das árvores
Que sombreiam os caminhos
Onde deixei os meus passos
Sorvi o meu mundo num monte
Sem muralhas a esconder o horizonte
Passo pelo tempo sem ver
O tempo que tenho
Sou luz que anda pela vida
Da vida que os dias me deram
E enchem o meu relicário
De viagens que me levaram
A um destino sem retorno
Acumulado neste mundo de asceta
Que ostento
Na juventude desta alma
Que ainda me conserva
Cheguei tão perto do sol
Voo agora nas ondas intensas
Dum calor que acolho como humano
E quando arder nesse fogo abençoado
Que me enche de vida eterna
Renascerei como a Fénix
E voarei pelos trilhos
Onde
Pelo prazer caminhei


A foto foi tirada pelo José Baleiras e faz-nos desejar que um dia sejamos nós, ali, naquele canto, sem bastões
Eu tentei legendá-la com a mesma pureza amizade e estima

joaocasaldafonte





sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A brincar a brincar já vão dois…

A verdade verdadinha é que tenho mais dois anos… mas o espelho ainda não mo disse!

Parece que foi à meia hora (não vou dizer que parece ter sido ontem porque a memoria já não chega tão longe). Acabara a ultima caminhada do ano, o local era o Parque de Montachique e os trinta e tal caminheiros sumiam-se desejando um bom ano e um, até à próxima. Eu andava por ali maravilhado. Tinha gasto as ultimas horas percorrendo locais já conhecidos e outros, ali tão perto, por onde nunca havia passado. Agradou-me o espírito aventureiro e a não hesitação, perante veredas sem trilhos, levar de assentada um batalhão de andantes serras acima. Gostara da caminhada, do ambiente e daquela forma ou conceito de fazer caminhadas. Conhecia muitos dos que quiseram fazer parte do ultimo suspiro do ano, com outros era a primeira vez. Entre os da primeira vez estava o mentor, organizador, guia, chefe de fila, timoneiro, sei lá eu! Era por ele que ali estávamos, foi por ele que ficamos de papo cheio, qualquer cognome lhe ficava bem. Abeirei-me dele
   - Quando é a próxima caminhada? Vai haver não vai? Onde me posso inscrever e como?
ele
   - Sei lá eu! Comecei agora! A ideia é começar a fazer estas coisas mas ainda não sei como… ainda tou a digerir isto tudo… estava a contar que aparecessem prá´i meia dúzia de caminheiros e vieram alguns trinta ou mais… isto é de mais!
A euforia contagiava e a esposa compartilhava com ele essa euforia regozijando por tantos terem vindo para a primeira aventura que quiseram oferecer como prenúncio do que estava na forja… a aquecer em fogo vivo, eles
   - Vai procurando no FB, e mail, há-de aparecer qualquer coisa
e alguma coisa apareceu na semana seguinte e nas outras e nas outras e nas outras, era um corrupio nas redes e, aos fim de semana o encontro inevitável para dar estocada na rotina e deixar fluir a maluqueira. Assim se cumpriu um ano que teve comemoração com repasto à NT, marca que já corria boca e que ia recebendo louvores e apupos, conforme a disponibilidade de quem por lá ia passando.
Foi o ano da experimentação!
O ano seguinte, que terminou á pouco, continuou com o mesmo ritmo a mesma disposição o mesmo espírito insano e a mesma dança de companheiros, que vão e vêem, e daqueles que não desgrudam tendo uma fidelidade tão grande ao grupo que idealizaram a farda (já lá iremos) que hão-de vestir em todas as cerimónias para que forem convidados, incluindo o próprio casamento.
O inicio do ano foi andando com chuva que caiu já para dentro da Primavera, com ela desaguou também alguma criatividade no seio do grupo e as iniciativas multiplicaram-se: prosas e poemas; comentários; reportagens; documentários, a pouco e pouco o Blog, entretanto criado, foi revelando os retalhos do pensamento e a vida foi ganhado coisas novas para se recompor das velhas que vai perdendo.
Os aniversários vão-se comemorando à média de um por semana e, em todos eles, somos prendados com miminhos de doçaria pessoal para repor as calorias que esgotamos nos vinte e tal km a dar às canetas.
A rotina nas caminhadas, muitas delas correm por trilhos já muito passados, é adocicado pela sã convivência e simpática maluqueira que se pratica durante as horas que calcorreamos por montes e planícies. Um disparate é transportado para o saco dos ideólogos que logo o aproveita para marcar mais um ponto na personalidade do grupo: camisolas NT é disso exemplo. Mas rotina também se quebra na descoberta ou abertura de novos trilhos. Quando, no horizonte, surge um monte coberto de mato cerrado impedindo que o cume seja tomado, o imprevisto é de pronto dominado. Se não há moto serra, remedeia-se com o pau e quando não há pau sarrafa-se à bastonada e, refilando ou amalucando, lá seguem todos na peugada de quem idiotou estes encontros e semeia boa vontade para que, no fim, todos cantem… até à próxima pessoal.
Pelo ano fora, os heterónimos de alguns papa léguas foram dominando o ambiente entre caminhantes relegando para plano secundário quem lhes deu vida. O Sr Magalhães foi deposto plo Guimarães e também plo Ricardolas e às vezes também Princesa; a D Lucilia é dominada pla Lucinda que recentemente anda com ares de LucyFera; à D Catherine saiu-lhe a Catyzinha mas por respeitosa finura também é a Senhora Dona Lady; Luisa Guerra esconde-se na Toca e Foge com tics de MatHari; há por lá um certo João que foi “abençoado por Deus” e ficou no reino dos céus como Jean (eu bem desconfiava que o Divino Ansião andava a abençoar coisas estranhas, nunca pensei é que a senilidade fosse tao profunda); há também umas tais de “Polainas com Folhos” que ninguém sabe quem é mas que ganhou enorme popularidade no seio da insanidade; o Chefe é o chefinho que já foi pastor o homem da serra… e por ai adiante que já não me lembro de mais.
Assim foi correndo o ano, assim se cumpriu o segundo dos incorrigiveis NT.
E foi para comemorar o segundo ano que aburricaram no “Burrico” em Avessada, quarenta e tal glutões que se alambazaram com bacalhau vitela e a pinga que lhes soltou as línguas, afinou as gargantas, e lhes deu um empurrãozinho para o pezinho de dança onde brihou o mestre da “salsa” com passes de “tango” ao som do “paso doble”.
Mas, para um ano cheio de iniciativas, cheio de coisas novas, cheio de amizade, cheio de coisas boas e cheio de emoções, não podia faltar a “pièce de resistance”.
Houve varias e começam, arbitrariamente como é óbvio, mas como ainda lhe sinto o sabor, pelos licores que o compadre António Vicente trouxe com ele, simplesmente divinais. Tanto que nem as garrafas sobraram. Temos de fazer uma coleta para comprar uns frasquitos para que ele possa trazer mais…
Obrigado António!
E que dizer das galinhas? Aquelas que passeiam em casa da Dina e do Zé e mandam os tratadores dormir no galinheiro! Já tinha saboreado canja de galinha, galinha de fricassé, galinha corada, galinha de cabidela, agora, bolos de ovos de galinha!? Meus amigos, se há coisas que me fazem delirar pelo prazer de estar vivo para delas gozar o sabor, pois podem crer que aquele bolo que as galinhas tao bem ornamentaram, foi uma delas. Claro que a Dina e o Zé tiveram papel importante na confecção de tão saboroso mimo, mas o que é isso de amassar a massa, pô-la no forno, bezunta-la de calorias, desenhar o logotipo Novos Trilhos na capa cremosa, botar umas botas de chocolate, enfeita-lo com silvas e caniços e servi-lo, para deleite dos nossos suplementos calóricos? O que é que é isso comparado com os quarenta e dois ovos que as gloriosas galinhas botaram? Ainda por cima num dia em que saíram com uma dureza de fazer cócóricócó…
Muitos parabéns Dina E Zé e Muito obrigado!
Falei de ideias, falei de iniciativas, mencionei camisolas ou tshirt´s, o que quiserem.
Alguém ideiou, o Paulo Vieira concretizou, o João Elias (será Jean também) comercializou. Depois de mochilas bastões e polainas com folhos, já temos farda. Somos agora a guarda avançada nos caminhos de Portugal…
Obrigado Paulo & João!
Caminheiro que se preze tem de ter Diploma, passado e autenticado por quem de direito. Como não há uma sem duas, os diplomas referentes ao segundo ano iam sendo distribuídos, num enorme dilúvio de fanfarronada, aos consagrados insanos que percorreram mais de meia dúzia de km. Era num regabofe a roçar o caos que o papel de consagração chegava às mãos do resplandecente consagrado. Por entre tanta balburdia ouviu-se… “ óóó pessoal… bora lá animar isto…”, donde  raio vinha tal pregão? Só podia vir dos moinhos que acompanhavam os diplomas pois então. O vento que soprava na sala roçava pelas velas do oferecido engenho que cantavam em notas soltas bem timbradas o pregão de incentivo que tantas vezes se ouve pelos caminhos que percorremos e que é como um grito de guerra na bandeira que hasteamos.
Mas que raio! Moinhos!? Pregões!? O que é que está a ligar tudo isto?
Se não fosse tão simples seria uma investigação para o Sargento Mendonça, mas não é preciso ir tão longe.
Há um ganda maluco que apregoa muita coisa durante as caminhadas, o que se ouvia na sala era da sua autoria. Esse ganda maluco fez anos e quis oferecer uns bolinhos de canela em forma de moinho. Corria tudo muito bem até ao seu entusiasmo pela pintura do varão, esqueceu os bolinhos no micro ondas e, quando deu por isso, estavam impróprios para lhes ferrar os dentes. A arte para a pintura adquirira-a fazendo cocegas ao varão e com a tinta que sobrara pintou e decorou com velas de pano cru as agora esculturas oferecendo-as aos companheiros num gesto de sincera amizade que a todos sensibilizou.
Percebem agora? O pregão e os moinhos são água do mesmo ribeiro e passarinhos do mesmo ninho, deslizam e cantam como quem os criou.
Perguntam vocês: - E quem é esse ganda maluco?
Ah! É o Sr. Ricardo Magalhães… não sabem quem é? O Guimarães… o Ricardolas… a Princesa… o… ah já sabem, pois, foi esse… “ óóó pessoal… bora lá animar isto…”
PARABÉNS RICARDO e muito muito muito OBRIGADO, pela animação que tens dado a tudo isto... e pelos moinhos também!
E pronto, a festa acabou! Pró ano há mais, até lá… olha, vamos caminhando e espalhando insanidade por essas serras fora…
Ah, o Sr de quem falava no início deste testamento, chama-se Francisco Antunes, é ele o responsável por isto tudo…

Foi o ano da confirmação! YYYYEEEEEESSSSSSS….

Peço desculpa por não ilustrar com fotos mas é tarde e tenho de ir dormir...

joaocasaldafonte

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

as artrozes os moinhos e a ginginha...





Vindos duma aventura extra longa
Com o corpo ainda derreado
Chegaram num tufão a fazer onda,
Nas velas dos “Moinhos do Milharado”

À hora marcada, por quem comanda a coisa,
Nas ruas do condado, de mui nobre Sapataria,
Foi encontro confirmado numa pauta de lousa,
No local onde “Sizandros”, viu partir a romaria

Algazarreando atreveram-se seguindo em linha
Começaram cedo, pelo terreno de corte empinado,
E sem receio fundiram-se ao caminho que só acaba lá por cima,
Desafiando os dons do soro, para os corpos injectado

Era dia de firmeza e convicção,
No que às motoras respostas respeitava,
Foram dados poucos metros, para cumprir a missão,
Sem cuidar de escutar, o que o quórum aguentava

Dos poucos metros que sem dor foram subindo
Por ladeiras sem adornos, mas com mato como adereços,
Respeitosamente, sem protesto, foram cumprindo,
Rodando à volta de moinhos enfunados nos cabeços

Houve tempo para a merenda matinal
Num estádio, não contemplado, na Europa 06
Por ali andou a insanidade, a cumprir o ritual,
E o estádio foi contemplado, por imoralidade sem leis

Não defraudados por evento tão avaro
Pois em sorte saiu-lhes os cumes da terra
Viveram o salutar e audaz preparo
Enterrando o machado de hipotética guerra

Chegados a “Sizandros” mais frescos do que a ida prometia
Foram conduzidos à mesa ornamentada de abundante doçaria
Não tendo maneiras de Bobone nem fobia pela sensual caloria
Engoliram com avidez os bolos, oferta de quem lhes fez companhia

E quem foi a companhia de mãos tão largas?

1º os cavalheiros (aqui é assim)  
Da companhia chegou com mais um pois então
O furriel miliciano promovido a Capitão

Depois as senhoras (estejam em que lugar estiverem estão sempre em primeiro)
Com um sorriso no olhar que deus lhe deu
Mostrou como fica bem mais uma estrela no Céu

Com elas a ginginha fez cantar
Uns parabéns a você de fazer chorar
E para que nada faltasse
Ouviu-se gritar bem alto… YEEESSSSSS

joaocasaldafonte



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A revolta do chão que pisei

Agora que passou o trauma, chegou a altura de vos convidar a ler o relato do que realmente aconteceu naquele dia fatídico. Foram dias duma depressão imensa, aqueles que se seguiram ao violento nó cego que levei dum pedaço de chão que acordara mal disposto. Fui acompanhado por um psicólogo que à terceira sessão pediu escusa para me aturar retirando-se para um convento de monges, pouco dados à fala, a fim de encetar uma desintoxicação de delírios mentais que ouvira naquelas três sessões de oratória demente. Não sei se já recuperou, mas o seu olhar não denunciava coisa boa quando me tentou estrangular. Adiante, vou deixar as lamechices e começar por onde se devem começar os relatos, ou seja, pelo princípio, as coisas têm de ter princípios.
O corpo humano tem vários órgãos que só incomodam quando têm fartura daquilo para que estão destinados a guardar. Um desses órgãos é a bexiga que, quando já não tem espaço livre, empurra, o que a empanturra, para um canal de irrigação que vai desde a sua porta à torneira que pende murcha e sem mais nenhuma função do que dar destino à carga que a bexiga lhe envia e, com ela, dependendo dos locais, rega plantas, faz rupestranices nos azulejos ou encharca a tampa da sanita quando nos esquecemos de a levantar.
Numa caminhada a bexiga transborda com facilidade, devido aos líquidos que se bebem, enchendo o canal de irrigação que vai empurrando todo o fluido para ponta da torneira. Esta nem sempre pode ser aberta quando mais necessitamos. Tudo à nossa volta é um imenso WC mas não podemos, em espaço aberto, expor as nossas virtudes podendo correr o risco dessas virtudes se tornarem motivo de chacota e o calvário da nossa vergonha. Procuramos então a traseira de uma arvore uns arbustos frondosos uma gruta desabitada um pedregulho vistoso ou um caniçal cerrado.
Foi protegido por um desses caniçais que dei asas ao aperto que me consumia à já algum tempo. Deixei todo o suco mictório sair desalmado, aliviando a carga que me causava desconforto e deixando espaço para que nova carga ocupasse o lugar deixado vago. Parecia que a bexiga tinha crescido nas últimas horas tal o tempo que levei a despeja-la.
Quando o diluvio terminou já todo o pelotão passara e eu, cá por trás, atrasado, tentei encurtar caminho passando por um campo de abóboras. Nunca o ditado… «quem se mete em atalhos mete-se em trabalhos» teve tanta razão de ser um sábio e prudente pensamento popular.
De repente e sem nada que o fizesse prever, a catástrofe.
O chão ergueu-se da sua cama seca e árida e bate-me, com a fúria de quem está a ser violado, no nariz, a maior saliência que encontrou e na boca, para que ninguém mais fosse atormentado pelos disparates que dela saem.
Não sei porquê! Talvez, irritado por lhe ter molhado a casa!? Talvez cansado de tanto ser espezinhado pela insanidade de quem calcorreia pela sua pele estaladiça!? Sei que dei por mim a tentar perceber o que se passara e com que objecto havia sido atingido? Um triciclo? Uma bicicleta? Um automóvel? Um camião TIR? Um avião? O… Mike Tyson? Enquanto tentava resposta a tantas questões fabricadas na minha mente confusa, dei por mim esvaído em sangue que me saia pelas ventas do nariz inundando o chão, tal como fizera a urina quando lhe abri a torneira.
A névoa que me não deixa ver e pensar com a destreza e celeridade com que as pessoas normais raciocinam, abriu-se um pouco e deixou que a minha massa cinzenta tivesse um laivo de lucidez para concluir que, seria proveitoso, para mim, pedir ajuda a alguém que ainda estivesse por perto e que ouvisse o que naquela altura eu melhor conseguia replicar como pedido de socorro. Por sorte, nem em todos os caminheiros há aquela pressa de chegar ao fim, e, em primeiro. Foram esses, os que caminham embalados pela madornice da paisagem, que ouviram os urros que eu proferia na tentativa de chamar um pronto socorro.
Tal como o INEM, os ESNT responderam à chamada, só que mais depressa, e, de repente, fiquei rodeado por socorristas que tentavam garrotear-me para estancar o sangue, lavar-me a face pela senilidade e aliviar-me a alma pelo orgulho ferido. Sacaram das mochilas o SOS que tinham e foi com: lenços higiénicos, toalhitas higiénicas, pensos rápidos higiénicos, creme higiénico para lavar as mãos, e muitos mimos, que me aliviaram do desconforto de apresentar uma cobertura com as mossas deixadas pelos açoites que me infligiram.
A marcha foi retomada.
Acompanhado por pacientes companheiros, lá fui andando sem nada que perturba-se o meu aparelho motor nem a minha coordenação sensorial. Levava um ar limpo e apresentável mas, as mazelas cumpriam a sua tarefa e, aos poucos, as marcas da sua presença iam ficando mais nítidas, não tardando a que as zonas atingidas ganhassem formas de coisa hedionda.
O nariz ia crescendo tal como o do Pinóquio, só que sem necessidade de mentira minha, estava a ficar bem visível para que todos acreditassem. Da minha boca não saiam mais do que projetos de palavras pois os lábios pareciam ter sido injectados por verniz “botox” e eu quase não abria a cavidade bocal. A minha imagem, vista num relance ao espelho, era a do modelo que o Dr. Frankenstein usou para criar o boneco com que ele brincava nas horas de lazer. Enfim, nada que impedisse os membros inferiores de cumprir, até ao último metro, o caminho que tinha sido traçado para gozarmos umas horas de diversão e gosto pela aventura.
E é quando tudo parece claro, quando tudo parece não ter sinais de sarilhos, quando tudo parece um lindo lago azul coberto de nenúfares onde as libelinhas se estendem para serem seduzidas pelo sol brilhante que aquece e ilumina o vale verdejante, que o inesperado acontece.
E aconteceu a quem era o mais improvável acontecer.
Uns km e horas à frente, numa ravina de terreno movediço, o solo deu novo sinal de revolta e, num acto de subtil destreza, rasteirou, com adornos de malvadez, a companheira que escala paredes e dá gancho de krav, nossa amiga Catherine De Freitas.
Só vi quando já estava sentada, pensei que seria a posição escolhida para melhor focar o plano desejado para a foto que pretendia registar. Logo me apercebi que estava errado pelo movimento que à sua volta num instante se gerou, quase não deixando trabalhar os ESNT que já abriam as mochilas SOS.
Depressa tivemos a percepção de que a queda não fora apenas para deitar abaixo. O solo desta vez esmerara-se e golpeara sem dó nem piedade a nossa companheira infringindo-lhe um golpe profundo, no braço e… no orgulho.
Tratada, acondicionada e combalida, mostrou valentia e coragem ao deslocar-se por pé próprio até à estância que se encontra por aqueles lados e por onde passava a caminhada. Ali foi requisitado transporte para que a paciente fosse transportada ao hospital mais próximo para ser observada por um profissional de saúde que, na gíria, é usual ser chamado de médico. Sabe-se que lhe coseram o golpe, sabe-se que não detectaram ossos fracturados, calcula-se que tivesse saído em perfeita sintonia com a vontade de quilometrar os calcantes pois sabe-se que, no dia seguinte, andou por Sintra, percorrendo 30 km de serras e matas apesar… da perna com gesso!?
Foi uma caminhada que deixou marcas, só por uns dias, e deixou recordações, essas para sempre.

No outro dia fui eu ao hospital, outra aventura que se ainda me lembrar como foi, talvez vos conte…


PS: queria ilustrar isto com imagens da caminhada mas a insanidade tomou conta dos administradores e estes varreram todo o registo fotográfico. tentei uma do amigo do Frank mas era bonito demais

domingo, 29 de setembro de 2013

De Salir a Salir passando pelo Porto




















Atracamos em Salir,
Era manha a dar pó torto,
E com o sol tentado abrir,
Deixámos dunas guardando o Porto.

Pelos confins de matas densas
Pelos caminhos de areias finas
Sapateando passadas tensas
Passámos céleres, o pontão para as ravinas

À direita o mar cantava
Baladas da sua seara
À esquerda o campo bailava
A dança que o vento soltara

Fustigados por brisa endiabrada
Embalámos por arribas à desfilada.
E como elegante cabritada,
Saltita-mos, por sinuosa encruzilhada.

E então nas dunas que deixa-mos,
Abriram-se as portas dum céu ensarilhado
Foi tentação que o nos fez por lá entrarmos
Subindo três, descendo dois, e um p’ró lado.

Foi-nos servido como recompensa
Lauto final, num areal a reluzir.
Voando baixo, fizemos a festa imensa,
Pela ladeira, daquele Porto que tem Salir.

joaocasaldafonte

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um rapto para os lados da praia do Magoito

Entrara para a GNR convicto de que a ordem e a justiça iriam deixar de ser o caos e desconforto que imperam na sociedade quando, com os seus prestimosos serviços, a caça à reprodutora  gatunagem enchesse  as prisões deixando as ruas limpas para que, em sossego e sem temor, os cidadãos gozassem a liberdade a que têm direito. A sua dedicação total e a folha de serviço sem nodoa, levaram-no à promoção a sargento antes do tempo exigido para o efeito e, dai, ao comando duma esquadra, levou menos tempo do que o que teve para colocar os distintivos.
Tinha como ambição ser detective. O seu mestrado, dizia-o, ia de Poirot a Holmes passando por Maigret, Bond, inspector Closeau e Get Smart. Da televisão sugava todas as series policiais, tendo um carinho especial pela que tem uma equipe que procura pessoas…  “Sem rasto”. Sentia-se em absoluto coberto de todas as faculdades requeridas para pôr em prática os processos de investigação que detectam e apanham criminosos para os condenar e, em consequência, reparar os males que eles deixam pelo caminho. Mas, as investigações aos abanões provocados pela insolente vilanagem, na sua zona de acção, passavam para outros departamentos de sabedoria analítica, e o processo levava com todas as práticas previstas nos manuais que nas escolas para detectives ensinam. Era coisa muito científica. Para ele um pouco inútil, achava que indo atrás do faro com a intuição ligada, bastava para descobrir os desordeiros. Só que, na sua rotineira e penosa tarefa de caçar multas, nunca tivera oportunidade de o demonstrar.
Conhecia toda a costa da Ericeira ao Cabo da Roca e todas as praias nela arrumadas mas, a elas só chegava quando chamado para autuar as infracções ao código de estrada ou para pôr ordem em arrufos de automobilistas zangados por estarem cientes da sua razão ao tentarem passar dois num espaço onde só um cabia e os para choques das viaturas sofriam os danos dum encosto inevitável.
Tocou o telefone e ele pensou tratar-se de mais uma desobediência civil ao bom comportamento. Quando do outro lado veio a denúncia de rapto, as orelhas esticaram para que o canal auditivo aumentasse e o seu receptor de informação captasse em melhores condições o que era emitido na outra ponta do fio. Apontou as notas que lhe eram enviadas e preparou-se para investigar no terreno este caso que lhe caíra do céu, por sorte no seu telefone e num dia de descanso para as patentes mais sapientes. Tirara da gaveta o que aprendera  e munira-se de toda a perspicácia para levar em diante a investigação que a denúncia exigia. Em menos de três horas indagou, observou, deduziu e foi seguindo o rasto deixado na pista até à Praia do Magoito onde se encontrava. O rasto acabava ali, era ali o centro da investigação.
Foi recolhendo informação, pela rua ou no restaurante, entre os passantes que por ali andavam e, com ajuda do seu olho de falcão, a dedução era óbvia: andava por ali um grupo altamente suspeito que dali partira nas primeiras horas da madrugada deixando viaturas que, seguindo a sua intuição, deveriam estar à espera dos respectivos donos. Era portanto um caso para pôr em prática outro dos seus brilhantes predicados: a paciência. Pacientemente esperou pela fonte suspeita com a convicção, sem reservas, de que esta lhe traria a solução para o crime que finalmente lhe daria o devido reconhecimento.
A espera permitia-lhe um pouco de evasão ao seu casulo profissional. Vestiu os calções de banho e mergulhou nas ondas que o mar fazia morrer na areia. Quando despertou do seu breve sonho, pagou o café que bebera e o travesseiro que comera e foi para o miradouro sentir a brisa vinda do oceano que banhava aquela bonita estância de veraneio. Ali, embebido no enlevo de tão encantador isolamento, juntou os pedaços do que investigara e foi compondo a solução para o caso, faltava-lhe ouvir o ou os suspeitos para concluir o processo e um sorriso invadiu-lhe o rosto, o caso era seu e ninguém iria deixar nos padrões do esquecimento a celeridade da sua conclusão.
Alarido galhofeiro era o que vinha duma arriba ali ao lado, olhou nessa direcção e viu um grupo de gente animada que chegava de mochila às costas abancando no passeio enquanto faziam algazarra tão estridente que o mais duro de ouvido ouviria sem esforço. Desmochilaram-se e iniciaram uns estranhos movimentos com comando repartido por peritos na arte a que os ignorantes obedeciam fazendo figuras de rara anormalidade. O patusco bailado, que era o mais parecido com o que estavam a fazer, estava bonito e bem disposto mas ele tinha uma missão a cumprir e esperar mais podia amolecê-lo retirando-lhe
objectividade crucial para o inquérito, por isso:
- Boa tarde! Fala-vos o Sarg Mendonça oficial da GNR, peço desculpa por interromper as vossas brincadeiras mas tenho urgência em falar com alguém que represente este grupo…
- Sou eu! Pode falar comigo! Passa-se alguma coisa?
- O seu nome por favor?
- Francisco!
- Sr Francisco! O que se passa é que os srs são suspeitos de terem cometido um rapo e eu necessito de vos fazer umas perguntas, solicito a vossa presença, sem recusas, na esquadra sob o meu comando.
- Rapto!? Mas afinal quem raptamos nós? Desculpe mas não vamos ser detidos sem mais nem menos.
- Ora ai está um indício de culpa! O Sr. não nega o crime apenas ignora o género e a identidade da vítima! Quanto ao não quererem ser detidos mostro-vos o documento que vos intima à presença na esquadra para interrogatório. Façam favor de me acompanhar.
Na esquadra e numa sala cheia de gente agora mais carrancuda.
- Ora vamos lá! Facultem a vossa identificação ao Cabo Cosme para que fiquem registados nos autos. Quanto a nós sr Francisco, conte-me quem sois e o que fizeram hoje até ao nosso encontro?
- Oh sr Agente…
- Sr Sarg Mendonça se faz favor!
- Peço desculpa! Sr Sag Mendonça, nós somos um grupo de amigos que se encontra um dia por semana, aos fins de semana, para fazermos umas caminhadas, hoje foi mais um, encontramo-nos na Praia do Magoito e fomos andando por ai.
- Por ai por onde? Por onde começaram por onde passaram?
- Então iniciamos atravessando a praia, subimos e descemos os montes do outro lado…
- Espere ai! Está a dizer-me que subiram aqueles montes a pique que não têm estrada nem caminhos por onde andar?
- Sim! Foi isso mesmo…
- Foi foi queu tava lá e custou-me baita burro!
- Quem é você e onde foi arranjar essa mini que tem na mão?
- Ê sou o “mechilas” venho com eles e a mini veio dali do frignifique…
- Mas como é que você de lá a tirou? Eu não consigo e já me lá vão algumas moedas.
- Só mencostê ó báu o resto ele fez sozinho…
- Bem, traga uma para mim e fique ai sossegado! Quanto a nós sr Francisco, e depois?
- Depois foi andar mais para o interior por estradas, pinhais, planícies, algumas ladeiras, pequenas estávamos a guardar as forças para mais tarde, e assim chegamos a Catribana onde fizemos uma pausa para o Banana Time…
- Banana Time!? O que é isso?
- É o que chamamos à pausa para comer qualquer coisa. Normalmente come-se uma banana por isso o nome e hoje até tivemos bolinhos de canela para adoçar a boca.
- Huuuummm… e depois?
- Fomos andando até às arribas que dão para a Praia da Vigia e dai descemos até lá abaixo…
- Desceram até lá abaixo!? Por onde? Aquilo não tem caminho e o passadiço de madeira para além de partido nem perto da ponta da arriba chega…
- Mas foi por um trilho que lá existe que descemos, com cuidado, de joelhos, sentados, ajudando-nos uns aos outros, foi duro, levou tempo… mas foi divertido!
- Huuuummm… e depois?
- Fomos pela praia e mais à frente subimos a ravina pelo trilho…
- Dos pescadores! Esse conheço! Só por lá passa quem vai para a pesca e quem vai para a praia andar com tudo ao léu, é uma pouca vergonha! E depois?
- Depois o destino foi a Samarra! Repousamos, almoçamos, uns banharam-se no mar, um ficou por lá…
- Um ficou? Quem? Precisamos do nome dele! É suspeito como os outros, se forem considerados culpados ele também o será. E depois?
- Subimos a falésia até ao topo…
- Pelo carreiro que passa ao lado do rio de onde se vê uma Azenha?
- Não! Pelo monte que vai até à ponta da praia…
- Mas isso é praticamente direito e sem caminho! Quer-me fazer de parvo? Acha que eu vou acreditar nisso?
- Olhe… se não acredita é consigo… eu só lhe estou a dizer a verdade!
- Huuuummm… e depois?
- Passamos pelo “Casal Pianos”, fizemos a fotografia de grupo e o resto foi o destino que trazíamos quando iniciamos a caminhada, chegados aqui já o Sr Sarg Mendonça sabe o que se passou.
- Muito bem! Um depoimento bem elaborado e melhor decorado! Os Srs esperam que eu acredite naquilo que acabo de ouvir? Subir e descer ravinas e montes sem caminhos além de…
- O sr. Sarg Mendonça dá licença?
- Diga Cabo Cosme!
- É que um dos acusados tem fotografias que mostram por onde passaram!
- Mas você está do lado de quem? Mostre cá isso!









- Huuuummm… 

                                                   - Huuuummm… 






                                                                                                - Huuuummm…

E mais alguns Huuuummm… depois
- Estão bonitas mas não provam nada! Podem ser montagens! Agora há técnicas para tudo…
O proprietário da máquina
- Mass qui montagens? Nóss ainda não sáimoss daqui!
- Ah mas podem fazer manipulação ao tirar as fotos e fotos tiradas pelos acusados não podem servir de prova. Se é o que têm para vossa defesa não chega e como tal passam de suspeitos a acusados de rapto e sequestro dum individuo de raça canina…
Um coro de indignados
- UM CÃO!? SOMOS ACUSADOS DE RAPTAR UM CÃO!? OUVIMOS BEM!?
- Sim! Ouviram bem! Vou coloca-los em prisão preventiva onde aguardarão julgamento…
- O sr. Sarg Mendonça dá licença?
- Diga Cabo Cosme!
- Está um senhor ao telefone que deseja falar consigo!
- Diga que não estou!
- Mas é o senhor que telefonou de manha a denunciar o rapto do cão…
Há um enorme alarido na sala
- Chiuuu, calem-se, deixem ouvir… estou sim fala Sarg Mendonça… … o cão já apareceu? Como o cão apareceu?... … partiu a corrente e fugiu, e foi para onde?... … não sabe!? E agora onde é que ele está?... … ah, já está em casa! bom eu tenho aqui os Srs que o desencaminharam, quer acusa-los de alguma coisa?... … não quer acusa-los de nada? E o que é que eu faço com eles?... … mal entendido!? Foi um mal entendido!? Eu devia era prende-lo a si também! Com licença!
Desliga o telefone
- Bom, afinal parece que não houve rapto!
- Se o Sr Agente nos tem dito do que se tratava e acreditasse em nós, tudo isto era escusado… agora devíamos nós acusa-lo por danos irreparáveis nas nossas vidas… queremos todas as acusações contra nós apagadas os autos rasgados e um pedido de desculpas em directo nos noticiários mais vistos das tv´s… podemos ir embora?
- Po… não! Ainda temos duas acusações contra vós! 



Uma viatura mal estacionada e distúrbios na via publica impedindo o andamento duma viatura que passava!




Cabo Cosme traga cá os processos!
- Sr Sarg Mendonça os processos foram arquivados por  falta de indícios de culpa…
- Mas você está a falar de quê? Então não há fotos e a denúncia dum condutor?
- Há fotos duma viatura mal estacionada mas ao investigar o local verifiquei que a viatura em causa não estava no parque que a foto mostra mas noutro e bem estacionada… quanto à denuncia de mau comportamento, o denunciante retirou a queixa alegando que se atrapalhara ao ver tanta gente e deixara a viatura que conduzia calar-se e, com o stress a ralá-lo descarregou a ira nas pessoas que apenas se divertiam, há uma foto que mostra isso mesmo.
Era difícil não perceber toda a frustração transformada em ira por ver fugir entre os dedos grossos carregados de anéis, o caso que o levaria às primeiras páginas dos jornais especializados em escândalos, e foi com a voz embargada expelindo palavras azedas que disse:
- Não tenho nada contra vós podem sair quando quiserem.
Num instante ficou sozinho na sala. Ia levar o seu tempo a recompor-se do rombo que acabara de levar mas não era de baixar os braços nem sacrificar a postura e foi já pensando que outra oportunidade lhe apareceria quando entrou alguém
- Atão até mais ver mê sorjas…
- Você ainda aqui anda? Adeus! Já pagou a mini?
- Ê na mê sorjas e na tenho many… espere… BASTÃO Ó BASTÃOZINHO!
- Homem não esteja a chamar por quem não está, se é alguém que veio consigo já foi embora à muito tempo e você se não tem dinheiro fica aqui a fazer trabalho comunitário…
- Ó mê sorjas… trabalho ê sê o qué i na gosto, agora isso do comutir…
- Comunitário! Fica aqui durante uma semana a limpar as ruas e a dar o apoio que for preciso noutras tarefas…
Enquanto debitava sentença para o rebelde solitário, dirigia-se para a arca onde as minis refrescavam…
- ONDE É QUE ESTÃO AS MINIS? A ARCA ESTAVA CHEIA!
- Muita tempo aqui mê sorjas e muita calor deu baita sede e uma atrás da outra lá foram…
- EU DISSE UMA SEMANA!? O VERÃO TODO MAIS UM MÊS PARA TRÁS E OUTRO PARA A FRENTE… É ESSE O CASTIGO! E EU NÃO SOU SORJAS! SOU O SR SARG MENDONÇA!!!!

Consta que o verão foi muito curto para aquelas bandas… o trabalho comunitário já acabou…

joaocasaldafonte